Terça
No jardim das rosas
Me mudei para uma casa em que o homem que lá comigo morava tocava violão no tempo d'eu acordar às vezes. Dizia que sua canção chamava “bom dia”, continuava tocando enquanto eu me levantava, o sorria, lavava a boca e as faces, dava um nó no cabelo, arrumava a mesa, acendia o fogo, esquentava a água. Panhava as frutas para comer, passava café. Às vezes tinha laranja, às vezes carambola, goiaba, pitanga, às vezes amora, jambo, manga enchendo os dentes de fiapos, mamão, às vezes milho. Mel, café e pão. Ele tocava até a mesa estar posta, “bem”, eu dizia. Ele parava e comia. Ia trabalhar, voltava só depois e eu não pensava nele nesse ínterim. O homem que comigo morava tocava uma canção chamada bom dia para eu acordar.

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