Segunda
Gosto de ameixas. Gosto sem nenhum pudor, sem nenhuma vergonha. Gosto de ver uma ameixa na cesta de frutas, vermelhinha, redondinha, durinha. Sem pensar, saber o potencial dela ser suculenta. De segurá-la lembrando a participação no meu canto. Sentir o gosto na minha boca, o suco escorrendo pela palma da mão, início do braço. Minha boca. A diferença do sabor/textura na superfície e nas proximidades da semente. A lembrança de um pé de ameixas, um banco de ripas e um montinho de caroços. Mal consigo falar enquanto como, tais são as sensações que me invadem. E somos apenas elas e eu. Não preciso dizer pra ninguém o quanto gosto delas. Assim também é com meu chá de fim de tarde. Um querer bem em silêncio, com admiração e respeito. Sim, gosto de ter ameixas por perto, de come-las. Vem daí parte da minha força, dessas sensações que me fazem saber viva (!) desejando sentir toda vida assim. Quem sou eu se tenho vergonha do que me faz viva? Se só vejo fraqueza no que me faz forte? É o defeito que sustenta meu edifício, C..

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