Quarta
Olhando daqui ela parece bem bonita com a canela sob a coxa. O all star de velcro saindo por entre os panos da saia. A blusa de alça, a concentração em fazer sei lá o que ela esteja fazendo. Olhando daqui talvez uma Plumeria, pois ela parece sim uma árvore, completa como um pé de jasmim-manga. Porque mulher deve ser é trabalhadeira e não vaidosa. Nada menos vaidoso que a péssima combinação de cores que ela faz com as roupas, nada mais bonito que ela ali sentada, ali sorrindo. A dignidade que cobre o homem que trabalha sem se aviltar. Ela ali, sendo o que nasceu para ser, sem medo nenhum, só certeza, instinto, natureza. Olhando daqui talvez um ipê amarelo que não é nada além de árvore. Talvez tudo passe pela minha vontade de ser árvore. Ela é bonita como uma árvore do cerrado que se afigura frágil ali toda retorcida, mas que todos sabem que viverá mais que todos nós. Ela lá, sendo o que nasceu para ser, ninguém assim nasce para ser medroso.
Meu rio intermitente vê nela a força das águas que correm sem vacilar todo o ano. E durante o verão transborda.
Meu rio intermitente vê nela a força das águas que correm sem vacilar todo o ano. E durante o verão transborda.

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