Quinta
Ela era da velha guarda que ama e desconhece posse, que adora e deixa ir. “Eu amaria alguém que voltasse”, ela disse, “mas que vai a gente nunca sabe se volta, assim como quem fica a gente nunca sabe se ama”. Partindo ele escolheu entre uma incerteza e outra. Ela sabia que ele só ficaria por acomodação ou covardia, ela nunca amaria um covarde e ficaria em paz muito além da falta que sentiria dele. Ele escolheu alistar arriscando matar o que ela conhecia e amava, mas não se arrependeu. A idealidade separa o branco e o preto, como em dias claros que o horizonte separa o céu e a terra. Há tempos os dias não são claros e não há maldade em matar quem alguém que bem – nada é ideal, existir implica em momentos de não-existência. Ele sentia-se longe de casa e desconhecidos passavam-se por amigos unidos pelo mesmo propósito imediato: sobreviver. Pensar nela não fazia bem, mas lembrava a existência de algo bom, bonito e forte além de tanta hostilidade numa terra em que enlouquecer não era possível, mas provável. Tudo é natural. Só muda o ponto de vista. Na abertura mental ele surpreendia-se sendo tudo a mesma Natureza. Alimentava-se de frutos que a deixariam nauseada. Na havia ócio, tempo pra ver beleza ou ser poeta. Não há medo numa mão cheia de areia.

1 Comments:
conheço esses frutos e te digo que são amargos em qualquer ponto da boca.
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